[Entrevista] Cantora Jesuton fala sobre seu disco Home

Jesuton conta sobre sua carreira e o processo criativo do seu álbum Home

Nascida em Londres, a cantora Jesuton aproveitou sua graduação na Universidade de Oxford para estudar uma de suas paixões: a América Latina. Mas, de alguma forma, o Brasil a deixou com uma maior curiosidade. Foi então que, em 2012, a cantora desembarcou no Rio de Janeiro para uma nova fase da sua vida. interna_jesuton Desde então, Jesuton já lançou três discos – sendo o último, Home, totalmente autoral. Em parceria com Bernardo Martins e produção de Mario Caldato, Home traz em suas letras experiências da cantora e conta uma história de vida. Vale a pena conferir. Seu lançamento, no fim do ano passado, nos chamou atenção. Por isso, a convidamos para uma entrevista aqui na nossa Casa Radio Ibiza, no Rio, e descobrimos mais detalhes da sua carreira no Brasil e o processo criativo do seu disco. Vem ver: Radio Ibiza: Como foi que você escolheu ser cantora? Jesuton: Não foi uma coisa que eu escolhi, a música me escolheu. Eu sempre cantei na minha casa, foi um jeito que me fez sentir bem fisicamente, mas eu não prestei muita atenção na música como uma carreira. Eu comecei a fazer outras coisas, mas aí chegou um momento que deu uma clareada: nas milhões de coisas que a gente podia está fazendo, o jeito é você fazer as coisas da maneira que te deixa mais feliz. Então, esse foi o meu caminho com a música, foi um reencontro. E o Brasil foi bem significativo quanto a isso. Depois de ter vivido diversas experiências, eu resolvi mudar para o Brasil. E foi uma grande revolução na minha vida, realmente. Foi começar do zero e arriscar. Radio Ibiza: E por que o Brasil? Jesuton: Até agora eu não tenho a resposta certa. Foi uma sensação que eu tive, baseada em nada. Eu tinha estudado e viajado para outras partes da América Latina e o Brasil sempre ficou uma curiosidade maior. Por ser um país maior, totalmente diferente. Teve um frio na barriga inexplicável. Aí eu cheguei aqui e vi que foi o universo me chamando, só poderia ser. Radio Ibiza: Como essa vinda modificou sua carreira? Jesuton: Eu não tinha carreira antes de vir pro Brasil. Eu cheguei aqui, comecei a me chamar de cantora e aí vi que a mudança maior tinha que vir dentro de mim: me aceitar como cantora, me apresentar como cantora e ir atrás da oportunidades. Quando eu realmente comecei a criar minhas próprias oportunidades, de cantar na rua, as coisas começaram a agir. Logo em seguida, tive a oportunidade de ganhar melhor visibilidade, contrato com gravadora, possibilidade de gravar disco, fazer shows e montar uma banda. Logo na sequencia, veio a oportunidade de lançar as minhas próprias músicas, que eu escrevi. Minha trajetória completa começou a tomar um rumo quando eu cheguei no Brasil. Radio Ibiza: Quais são suas maiores influências? Jesuton: O que me emociona é o novo. Eu sou o tipo de artista que precisa de inputs e de estilos. É bom para enxergar novos caminhos. Tem referências que eu sempre volto a ouvir. Tem o disco do Jeff Buckley, chamado Grace, que sempre me inspira, que sempre me impressiona de como é completo, de como me representa depois de tantos anos. Tem sempre Nina Simone, a voz dela, o que ela representou. Tem várias artistas que tenho esse relacionamento. Eu gosto de renovar, eu gosto de ouvir o que as pessoas estão ouvindo, o que elas estão fazendo, isso que me emociona muito. Radio Ibiza: Quais foram os temas que te inspiraram na construção? Jesuton: Nesse caso, o álbum foi nascendo. Cada música tem sua própria história, seu próprio universo, uma experiência. As letras vieram bem rápido porque estavam falando de uma coisa que aconteceu comigo. Depois disso, eu juntei tudo e entendi qual livro que eu estava tentando entender, depois de ter escrito a última página. Aí eu vi que os temas foram uma procura dentro de si e dentro do universo interior. Eu to muito orgulhosa das viagens que eu tenho feito. Eu sinto que a minha grande missão nessa vida é juntar coisas, fazer pontes entre as pessoas. Esse disco é um refúgio para mim, reunindo muitas experiências. É achar um chão, uma casa, que fica no lugar. Radio Ibiza: Como funcionou o processo criativo do álbum? Jesuton: Em termos práticos, eu tive um parceiro muito importante no disco, o Bernardo Martins. Ele foi uma pessoa que me ajudou muito a realizar as minhas ideias. A gente fez grande parte da produção sentado do lado um do outro. Antes de começar a fazer o disco, a gente passou um ano só compartilhando referências e tudo isso. E depois, quando a gente sentiu que tínhamos uma coisa interessante, a gente começou a mostrar para pessoas. Depois entrou o Mario Caldato, que é o produtor e tem muita experiência. A gente achou ele uma pessoa legal para colocar. Aí ele entrou com o produtor principal do disco, ajudou a escolher o repertório e a gente encontrou no estúdio para gravar e finalizar. Radio Ibiza: Como você está se sentindo com esse crescimento? Jesuton: Desde que eu cheguei aqui, está sendo um risco atrás do outro. Então, para mim, é uma grande surpresa agora estar mostrando essas músicas em contextos tão distintos, como shows. Ano que vem vou fazer Lollapaoloza. Muito bom ter esse reconhecimento. Radio Ibiza: Qual é o gosto da música para você? Jesuton: A música tem todos os gostos. Eu acho que esse disco vai ser um coquetel, um coquetel impactante mas tem toques doces. É forte, amargo, mas tem um doce por aí. Mas com certeza é uma bebida bem alcóolica.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

QUER SABER MAIS SOBRE OS NOSSOS SERVIÇOS?

Preencha o formulário abaixo e entraremos em contato