A mistura da música e a moda para preparar a trilha perfeita

PRA VESTIR ·

Já entrou em uma loja e reparou na música que estava tocando? Muitas vezes não percebemos, mas uma trilha sonora bem pensada pode transformar a experiência entre marca e consumidor em algo muito mais completo e sensorial.

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Foto: Divulgação

E não é apenas no ponto de venda que a música influencia na moda: também na hora de criar uma coleção, no momento dos desfiles, nas convenções e muito mais. Cada vez mais, artistas do meio musical estão se envolvendo com a moda para criar seu próprio estilo através de marcas incríveis.

O rapper Kanye West, por exemplo, conquistou o mundo com a sua grife Yeezy. O cantor e produtor Pharrell Williams, além de ter feito uma parceria com a Adidas Originals, lançou a marca Billionaire Boys Club e Ice Cream em parceria com o estilista Nigo. O rapper Emicida, ao lado do irmão e músico Evandro Fióti, também encanta com a sua marca LAB.

E é pensando em todo esse envolvimento que nós, além de fazermos a identidade musical desses ambientes, estudamos cada detalhe do espaço, do cliente, do público e da marca para montar a trilha perfeita.

É claro que nessas pesquisas cruzamos com pessoas que nos ajudam no processo. E foi assim que começou nossa relação com a consultora de estilo Luiza Bomeny.

Desde o nosso início, Luiza incentivou o nosso crescimento no meio da moda e esteve presente em diversos momentos nesses 10 anos.

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Foto: Douglas Farias/Radio Ibiza

Agora, a consultora foi além e vai compartilhar todo esses anos de moda, estilo, comportamento e até música – com participação especial do nosso Pedrinho Salomão – em seu novo canal no Youtube. É só ir lá e apertar o play.

E confira aqui nossa entrevista com a Luiza Bomeny:

Radio Ibiza: Conte um pouco sobre a sua carreira na moda.

Luiza: Eu sou consultora de marketing e estilo há quase 20 anos. Me formei em Design na PUC-Rio e me pós-graduei no Istituto Marangoni. Com um olhar apurado para design e muito foco em posicionamento, quando voltei para o Brasil, me tornei diretora de arte e consultora de estilo. Comecei trabalhando com grandes instituições como Sebrae e ABICalçados, e depois com diversas marcas de moda. Meu foco sempre foi destacar seu conceito e ajudá-las a criar e implementar uma estratégia de sucesso a cada coleção, criando temas e envolvendo os clientes e a equipe.

Sou radicalmente contra cópias e sempre defendi muito a identidade brasileira. Acho que as marcas precisam desenvolver um conceito e produtos próprios, porque o brasileiro tem muito talento e profissionais com muito potencial para só ficar espelhando o que vem de fora. Também represento no Brasil desde 2002 o Istituto Marangoni, direcionando profissionalmente jovens que querem seguir carreira no mundo da moda e do design. Para você conhecer um pouco mais do meu trabalho, fiz um vídeo no meu canal mostrando meu portfólio e as diversas marcas com quem trabalhei ao longo desses anos.

Radio Ibiza: Como surgiu a ideia de fazer o canal?

Luiza: Eu sempre trabalhei num ritmo frenético, e quando eu quis engravidar, eu precisei desacelerar. Foi nesse momento de ócio criativo que me veio a vontade de fazer um programa de moda. Eu queria vir com informação e conteúdo de anos de mercado, minhas pesquisas de tendências e comportamento e levar tudo isso que eu sempre levei para meus clientes para as pessoas, para ajuda-las no dia a dia delas.

Moda vai muito além de estilo, e a maior parte dos programas de moda fala para profissionais do mercado de moda. Eu queria falar para um público mais amplo, mostrando que o estilo vai além da moda, que ele é uma soma das referências que as pessoas têm e deve refletir quem elas realmente são, não só na roupa, mas também em sua casa, em seu comportamento, nas músicas que escutam…

E nesse momento em que nós estamos vivendo, para falar com um público mais jovem e mais amplo, fazia muito mais sentido começar com um canal no Youtube do que um programa de TV, já que essa nova geração está muito mais conectada nas redes sociais do que nas mídias tradicionais.

Radio Ibiza: Quais são os benefícios e as dificuldades de trabalhar com moda hoje em dia?

Luiza: Trabalhar com moda é muito bom porque é uma indústria criativa e você está sempre lidando com o novo, já que é um meio muito dinâmico. A maior dificuldade de se trabalhar com moda hoje é que este mercado se tornou muito exigente, está focado em resultados, o que é bom, mas exige profissionais competentes e especializados. As pessoas às vezes pensam que vão entrar nesse mundo e que vai ser tudo muito fácil… mas elas precisam entender que apesar de trabalhar com moda ser muito legal, não basta ter bom gosto, não é como se arrumar para sair ou dar dicas para os amigos, envolve muito mais coisa. O profissional precisa estudar muito, fazer um trabalho sério, assim como em todos os mercados tradicionais.

Além disso, a moda tem diversos segmentos: a parte de criação, de imagem, de marketing, de negócios. E a indústria exige profissionais com habilidades especificas para cada área. Então se você quer se destacar hoje nesse mercado, você tem que se especializar e se tornar um profissional desejado, que fará diferença na empresa.

As pessoas falam muito que a indústria da moda está num momento de crise. Eu não vejo isso especialmente na área da moda, eu acho que o mercado como um todo está em crise. Mas vejo isso de uma forma positiva, pelo lado da transformação. A moda brasileira precisava mudar, evoluir. E os momentos de crise são momentos de ruptura, que criam espaço para o novo. Esse mundo precisa de novas ideias, novas pessoas, novos conceitos para evoluir. Então eu não vejo isso como uma dificuldade, mas sim como uma oportunidade de criar algo ainda melhor.

Radio Ibiza: De que forma a música e a moda se conectam?

Luiza: A moda, quando bem usada, tem que refletir o seu estilo de vida, seu estado de espírito e as coisas que você ama. E com a música é a mesma coisa. A moda e a música sempre andaram de mãos dadas, porque elas são manifestações criadas para mostrar quem você é, o que te diferencia do outro e o que te emociona.

Historicamente, esses dois mundos sempre se influenciaram muito, refletindo o comportamento dos diferentes grupos e criando subculturas. Você consegue perceber isso claramente nos movimentos mais importantes do último século. Os anos 50, 60, 70, 80 e 90, por exemplo, tiveram mudanças significativas, muitas vezes capitaneadas por grupos que abraçavam a moda e a música para defender seus ideais.

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