[Entrevista] Marcelo D2 fala do seu novo projeto “Amar é para os fortes”

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Após um longo período por fora dos estúdios e do cenário musical, o rapper, e agora diretor, Marcelo D2, volta com seu décimo projeto, “Amar É Para Os Fortes”, se renovando como artista e apresentando uma proposta diferente dos demais, no formato de um álbum-visual – conceito anteriormente utilizado por Frank Ocean e Beyoncé.

A fim de deixar o maior número de pessoas possível a par da idéia do projeto – antes de divulgar o curta em plataformas mais acessíveis, para fazer com que o público entendesse melhor como foi o processo criativo e execução por trás da obra transmídia -, D2 tem apresentado e divulgado pessoalmente a nova obra em diversos lugares, tanto no Brasil quanto no exterior, como em Los Angeles, por exemplo.

Foi em uma dessas exibições, na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no Rio de Janeiro, que a Radio Ibiza esteve presente e conseguiu bater um papo exclusivo com o artista.

Em entrevista, D2 contou como foi produzir seu primeiro roteiro. E como se dedicou um ano inteiro para criar, com cursos onlines de cinema, dicas de amigos e referências próprias como base para finalizar o roteiro de Amar É Para Os Fortes.

O curta-metragem, de acordo com ele, foi uma forma de se reinventar e se inovar. Ele buscou ser muito verdadeiro e trazer referências, como citado abaixo:

“Como é meu primeiro filme, eu queria fazer uma colcha de retalhos de tudo que eu gostava em 30 minutos… depois eu falei: vai ser uma loucura isso, cara! mas eu resolvi escolher um caminho que talvez nenhum diretor tenha feito, porque, como eu sou músico, escolhi fazer um filme como eu faço disco. Samplear imagens de outros filmes. Não sei se vocês repararam, mas tem imagem do ‘’Cidade de Deus’’, imagem do ‘’Kids’’….Refiz, né, do ‘’Faça a Coisa Certa’’, do Spike Lee, esses são diretores que eu gosto. Spike Lee talvez seja minha maior referência, porque ‘’Faça a Coisa Certa’’ e ‘’La Reine’’ são os filmes que mais me tocaram, que mais me chamaram pra esse caminho.’’

A obra é interessante pois, desde o início, D2 se preocupou com todos os detalhes. E, ainda que o processo tenha sido completamente natural, foi inteiramente pensado; disse que pequenos detalhes fazem uma grande obra, desde o figurino até a edição, passando pela escolha do elenco e da equipe que o ajudou a fazer o curta. Por sinal, foram compostos na grande maioria de pessoas do seu ciclo, como seu filho Stephan (Sain) e Lorran Saga, que nunca tinham atuado e tiveram que passar por uma preparação.

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Segundo ele, a intenção foi de criar uma maior intimidade através do fato de que os dois lados estariam começando e se aventurando no cinema, ele por trás das câmeras e eles atuando. Ronaldo Land, diretor e fotógrafo que faz projetos com a Ademafia, movimento de Skate do Catete, de amigos do D2, foi outro convocado pelo rapper a auxiliá-lo com as câmeras, visto que até então sua única experiência tinha sido com videoclipes que ele próprio gravou. Criando assim, em um ambiente rodeado de amigos, uma maior cumplicidade, onde no primeiro momento, quando se iniciaram as gravações, D2 disparou: “Galera, eu tenho uma história pra contar, mas só vou conseguir se vocês me ajudarem.” E todos acataram.

Além disso, fala que está se sentindo um moleque, e que esse trabalho o encheu de tesão. Quando questionado se pretende seguir no caminho audiovisual, D2 respondeu:

“Amei, amei isso. Esse filme vai virar uma série, vou escrever isso. […] Amo fazer música, mas adoro tocar música ao vivo. Vai demorar um tempinho pra fazer outro disco, ou não, essas coisas são meio imprevisíveis, sei lá.”

Uma curiosidade que deve ser ressaltada é que o AEPOF (Amar é Para os Fortes) foi inteiramente produzido por uma gravadora independente, e ao questionado sobre as vantagens e dificuldades enfrentadas em relação a isso, ele disse:

‘’Por incrível que pareça esse é meu primeiro trabalho independente, né. Os outros nove discos foram com gravadoras grandes […], eu senti a necessidade, eu só abri a Pupila Dilatada, que é um selo produtora de cinema, porque eu preciso da burocracia, tá ligado, precisa de um cnpj, nota fiscal, etc. Não é uma coisa que eu to querendo fazer um movimento com isso… eu tinha esse nome há muito tempo também. E tem tudo a ver, porque pupila dilatada é quando você tá em um estado de uma grande ideia e as pupilas dilatam, quando você faz sexo a pupila dilata, quando você usa droga a pupila dilata.”

Por fim, perguntamos a ele qual era a mensagem a ser passada com o filme. Nas palavras do artista:

“É difícil falar em uma mensagem só, porque ali eu tentei colocar uma porrada de coisa embutida. A primeira é o “Do It Yourself”, faça você mesmo. Falei: vou fazer um filme, produzir um álbum, vou dirigir e escrever. Ali eu tentei não cair num lugar do certo e do errado, sabe, que o caminho certo é de seguir a cultura, e caminho o errado é de ser bandido, porque acho que as coisas não são tão simples assim. Quando você tá no meio de um turbilhão, de um furacão, tomar uma decisão entre a cultura e o crime, não é tão simples assim. Então não queria fazer o papel de “ah, isso tá certo, e isso tÁ errado”. Só queria mostrar que existem os dois lados, e que você tem escolha. E eu sou uma prova viva disso.”

Conseguimos captar a mensagem, e é provável que todos que assistam ao filme e escutem o álbum também consigam. Amar é Para Os Fortes chegou revolucionando e, assim como os outros trabalhos de Marcelo D2, merece muito ser reconhecido.

O álbum já se encontra disponível em todos as plataformas.

 

*Matéria de Breno Barros, Flávia Camargo e Lara Muniz

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