Identidade musical e as trilhas dos desfiles no SPFW N42

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Já entrou em uma loja ou em um restaurante e parou para ouvir a música que está tocando? Muitas vezes não percebemos, mas uma trilha sonora bem escolhida pode transformar a experiência entre marca e consumidor em algo muito mais completo e sensorial.

A Radio Ibiza, além fazer a identidade musical desses ambientes, estuda cada detalhe do espaço, do cliente, do público e da marca para montar a trilha perfeita.

A música traz as pessoas para perto, fazendo com que queiram ficar ainda mais no ponto de venda. E não é só isso: um ambiente bem decorado, com um cheiro personalizado para a marca, que aguce os nossos sentidos, faz com que o consumidor lembre da marca por mais tempo. 

É claro que nas passarelas da moda não seria diferente. Por exemplo, no última dia 19 de outubro, a parceria entre a marca Kenzo e a H&M levou à Nova York um desfile surpreendente e cheio de música, que uniu dançarinos, músicos e modelo em um espetáculo tão grande que pareceu um show. Ao som de um remix personalizado de “Express Yourself” por Sam Spiegel e de muita percussão, os looks assinados pelos estilistas Humberto Leon e Carol Lim ficaram ainda mais na memória do público.

Além destas marcas, a Chanel, conhecida por seus desfiles memoráveis, no dia 3 de maio, apresentou em um desfile histórico, em Cuba, o duo franco-cubano Ibeyi, formado por duas irmãs que acabaram de fazer uma participação no álbum Lemonade da Beyoncé, e o pianista cubano Aldo López-Gavilán. Juntos, utilizaram a música ao vivo para trazer ao desfile uma melhor experiência aos convidados e dar vida às roupas.

E não é só fora do Brasil que temos esse exemplo. Como já falamos por aqui, o rap invadiu as passarelas, no segundo dia de desfile da 42º edição do São Paulo Fashion Week, com Emicida cantando ao vivo para apresentar sua coleção. A música veio para fomentar ainda mais as roupas e os modelos.

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O estilista Ronaldo Fraga também é um exemplo de como uma música bem escolhida traz para o público uma experiência ainda mais incrível. Não é de hoje que o estilista investe na música tanto quanto investe nas suas roupas. A trilha do desfile de ontem, que trouxe Bandolins, de Oswaldo Montenegro, e a força de Edith Piaf às passarelas, emocionou ainda mais o público. De acordo com Ronaldo Fraga, a trilha nasceu antes da sua coleção.

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  Eu estava dirigindo e tocou no rádio Bandolins de Oswaldo Montenegro, e eu pensei que a letra falava da história que eu queria contar. E pensei também em Piaf, que traz essa coisa do amor, da paixão, que também teve super a ver. Eu tenho prazer em desenhar a coleção, desenhar a roupa, pela música primeiro. 

nos contou Fraga

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Foto: Lucas Sant’Ana

Já a estilista Fernanda Yamamoto convidou a cantora e jornalista Juliana Perdigão para compor uma trilha exclusiva para o desfile. Junto com os músicos Thomas Rohrer e Mauricio Maas, ao som de clarinete, violino e acordeão, Juliana e Fernanda trouxeram às passarelas uma combinação perfeita entre a música e coleção.

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A inspiração foi a própria coleção. Eu fui lá visitar quando a Fernanda estava fazendo ainda. A gente teve uma certa direção dela para que tivesse pelo menos algum momento de texturas e de som um pouco mais ruidoso. Tem uma coisa meio soturna, meio misteriosa que o som traz junto com a coleção toda preta.

afirmou Juliana.

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Foto: Lucas Sant’Ana

E esses são apenas alguns exemplos de como essa experiência, que mistura os sentidos, tem conquistado o público, tanto nas passarelas quanto fora delas, e de como é importante que marcas em desfiles e pontos de venda se preocupem com a sua identidade musical – e visual, e olfativa…

Se você pretende saber ainda mais sobre as trilhas da Semana de Moda de São Paulo, acompanhe aqui a nossa cobertura musical para a Vogue:

Dia 1

Dia 2

Dia 3

Dia 4

 

Fotos de destaque e banner: Lucas Sant’Ana

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