Com vocês, o Rock N’ Roll de Janis

DA GRINGA ·

Calça de veludo pantalona, cores vibrantes, estampa, blusa larga, cordões, mais estampa, anéis, pulseiras e o cabelo: a figura de Janis Joplin chegou à Zona Sul carioca pela coragem (e interpretação) da atriz Carol Fazu. Se o agudo da cantora, sem dúvidas, redefiniu o papel feminino no Rock n’ Roll dos anos 60, o musical, que o Oi Futuro belamente traz até nós, tem o mesmo viés e continua a trabalhar questões fundamentais da nossa atual conjuntura.

A verdade é que Janis nunca diferenciou sua fala de seu canto e vice-versa. Fazia os dois com a mesma naturalidade, de dentro pra fora com a emoção batendo lá no teto. No roteiro, de Diogo Liberano, fica claro isso. Em diversas cenas do monólogo a protagonista questiona a necessidade de se ensaiar para tocar música: “você ensaia antes de sair de casa? Treina para fazer suas atividades diárias?”.

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E embora Carol deixe claro que sua Janis é uma mistura do seu campo de experiência, com os da cantora em si e do dramaturgo Diogo, é impossível não arrepiar com sua performance ao fechar os olhos. São trejeitos, vícios típicos na projeção da voz e uma artista densa representada em suas mais profundas sensações.

É melhor ir preparado para se emocionar num setlist de 14 hits, de clássicos como “Baby”, “Little Girl Blue” e “Mercedez Benz” envolvidos em reflexões sobre solidão, ambição, sucesso, amor, sexo, culpa, rejeição e família. Detalhes atemporais, comuns a todos nós hoje, que transformaram a menina provinciana do Texas na principal voz branca de rockblues de todos os tempos.

 

Serviço:

Janis

Oi Futuro Flamengo

até dia 16 de julho às 20h

R$30

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